A nossa família missionária no México contanos…

Publicado em 10/12/2018
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Um dia chegou à “escolinha”, uma senhora com uma criança que chamava a atenção: a sua estatura e forma de falar não coincidiam com a idade que a mãe nos dizia que o pequeno tinha. Outra particularidade nele era a cor dos lábios e dos dedos: quase roxos. Logo, noa apercebemos que por estar doente do coração, não tinha boa oxigenação, nem podia fazer muito exercício. Pela mesma razão, não ia, com regularidade, à escola e, apesar, de ter 9 anos, não sabia ler nem escrever. O seu modo de falar soava a uma criança pequena e não usava os sons normais, por exemplo, não usava “r” nas suas palavras. Oferecemos-lhe ajuda e pedimos-lhe que começasse as aulas, connosco, na semana seguinte. Só apareceu dois meses depois: na semana seguinte à nossa conversa, a mãe foi diagnosticada com leucemia. Quando, de novo, compareceu, a mãe tinha estado em tratamento com quimioterapia, e, por essa razão, trazia um pano a cobrir-lhe a cabeça, porque não tinha cabelo.

Por fim, Ab começou as aulas, ainda, que o tivéssemos de ir buscar e levar de regresso a casa, pois, agora, a mãe não podia acompanhá-lo. O seu interesse cresceu à medida que via progressos, ainda que a enfermidade (da mãe e dele) o impedia de assistir regularmente. Alguns meses depois, um dia, a sua casa estava fechada e ninguém nos abriu, não vieram à janela, como era costume, nem o irmão mais pequeno nem a irmã, 2 anos mais velha do que ele, apareceram. Tocamos à porta, até que apareceu a vizinha, que parecia saber quem nós éramos, e nos informou que a mãe de Ab tinha falecido e o pai, como tinha de trabalhar, tinha levado as crianças para casa da avó para que cuidasse delas e ele pudesse trabalhar. Até hoje, quando passamos perto, o nosso espírito voa em recordações por Ab, do seu riso travesso e das suas sérias tentativas para pronunciar o “r”… Deus queira que continue a aprender e que um dia consiga curar-se.