Colégio Santa Maria Goretti

Publicado em 03/06/2019
goretti comedor

Quando as meninas chegam à cantina, estão felizes, porque, finalmente, o dia de aulas terminou e, sobretudo, porque para muitas delas, esta é a única refeição sustentada do dia, além do pequeno-almoço e da merenda a meio da manhã que, também, lhes é oferecida, gratuitamente, pelo colégio.

Um dia, no fim do almoço, duas meninas não tinham, ainda, acabado de comer. Como refere a norma do colégio, elas não podiam abandonar a cantina sem terem terminado a refeição. Também eu estava na cantina para almoçar e vi as duas meninas a dirigirem-se a mim. Uma, correndo, para me dizer que o seu prato estava vazio, a outra para “fofocar” e terminar o seu prato a meu lado. A que corria chocou, de forma tão violenta, com a sua companheira que o prato, apesar de cheio, voou. Fez-se silêncio. Imediatamente, os olhares dirigiram-se para o chão. Esperavam uma discussão e o merecido castigo porque sabiam que era, formalmente, proibido correr na cantina e que deviam ter terminado a refeição ao mesmo tempo que os demais. Por outro lado, o desastre do prato cheio caído ao chão merecia, no mínimo, uma boa chamada de atenção.

Houve silêncio da parte delas e, sobretudo, da minha parte. Olhei o desastre. As duas começaram, à vez, a querer acusar-se uma à outra. Expliquei-lhes que eram as duas culpadas, uma por ter corrido, o que era proibido, e a outra por não ter terminado a tempo. A cada uma dei o seu “castigo”, explicando-lhes que se as duas eram responsáveis pelo desastre, as duas tinham que o limpar. Mandei-as buscar duas vassouras e um apanhador. Eu próprio as ajudei a limpar. E…agradeci-lhes o terem-me ajudado naquela tarefa. Vi os seus olhares, primeiro de surpresa, logo de agradecimento. Deram-me um abraço e afastaram-se de mão dada.